Destaque Perdidos na Tribo

Perdidos na Tribo – Ep. 7 – Cocós misteriosos e discussões feias!

O que viu

 

Esta semana, com toda a justiça, o grande destaque vai para a tribo Hamer, na Etiópia! Tiro o meu chapéu a todos os elementos pelo que passaram pois aquelas almas, sem dúvida, conseguiam ser intragáveis!

O castigo aplicado de espalhar bosta no chão era demasiado pesado, tendo em conta que Io e Cláudia apenas viraram a cara para não observarem o animal a ser morto. Por isso, acho muito bem que se tenham recusado a cumpri-lo! É que, às vezes, a vontade de agradar pode custar caro… e não é uma questão de solidariedade, mas sim de escolha. E que cada um assuma a sua sem condenar a dos outros. Isso é que é verdadeiro sentido de humildade, justiça e solidariedade!

E por falar em solidariedade, coitada da Cláudia… que coro de ressono ia dentro daquela cabana! Agora compreendem-se as olheiras. E o Kapinha? Só neste episódio “obrigaram” o rapaz a despir-se duas vezes e a nós, a vê-lo em boxers outras tantas. Ninguém merece!

E a graça que achei ao Fernando e à Cláudia? Não foram merecedores dos trajes Hamer. E, enquanto os tribais diziam aquilo como se fosse uma grande coisa, eu lia na cara deles “Sim, pois, estamos mesmos muito preocupados com isso. Vão-se catar, estamos com vocês pelos cabelos!”.

Em Nakulamene a coisa ficou feia! Enquanto as meninas se deliciavam a fazer as suas roupinhas (bem tapadinhas e aconchegadas, diga-se!), os rapazes debatiam-se com aquela espécie de vassoura de palha que os homens usam á frente. E recusaram-se a vesti-lo (pelo que sei, não vão ceder até ao fim). Apesar de sentir pena dos tribais quando lhes vi a desilusão estampada no rosto, compreendo perfeitamente a posição do Zeca e do Luís, eu teria feito o mesmo! Só não compreendo porque chamam àquilo “Tapa-rabos”…

Pelos lados da Namíbia a coisa ficou mais animada: José deu-lhe a solipampa na presença da feiticeira, visitámos as cataratas de Epupa (junto à fronteira com Angola), e eu encontrei uma poça suficientemente limpa para tomar banho diariamente. Apesar disso, continuamos a ser criticadas e, por consequência, o coitado do Sérgio viu a sua liderança ameaçada por não conseguir “domar-nos”… Mas muito mais houve que não viu!

 

 

O que não viu

Chuva e Peixeirada

20 Abril – quinta-feira – 13.40h – 16º dia

Já não escrevo desde domingo. Pudera! Caiu mais uma grande chuvada e voltei a ficar com o caderno todo encharcado. Esta noite foi ainda mais complicada do que a primeira. Estávamos os quatro na nossa barraca nova, pela segunda vez. Quando começou a cair chuva com força fechámo-nos lá dentro, com paus, corta-ventos e malas de plástico à entrada para barricar a água. Mas não durou 30 minutos, começou a correr um rio lá para dentro e, num instante, ficámos sentados numa poça de água. Os raios eram assustadores, o barulho dos trovões até fazia o chão tremer…

 

A noite de chuvada foi tão intensa que encheu o rio, desta maneira, pela primeira vez.

A noite de chuvada foi tão intensa que encheu o rio, desta maneira, pela primeira vez.

 

Enquanto o gritava que nem um louco por socorro – histérico – os restantes decidimos arrancar, com meia dúzia de coisas na mão – em direcção ao armazém do Matheusa, para nos protegermos da chuva. Nem tive tempo de me calçar… apanhei as botas com a mão que tinha livre e arranquei atrás deles para a outra ponta do acampamento. Quando estava a chegar a meio encontrei o Zé, em pânico – aos gritos – sem saber onde estava ou para onde ir. Quando entrámos, finalmente, no armazém estávamos completamente encharcados.

Arranjámo-nos os quatro – como pudemos – no chão que só dá para dois e ali ficámos, quietinhos, a ouvir a força da chuva a bater na chapa de zinco. Era uma confusão tal de pernas e pés que apertei o meu próprio dedo grande (para me meter com a Vera, pensava que era o dela).

A paz não durou muito… o Zé e a Vera começaram a discutir forte e feio, trocando ofensas graves – e tive que gritar para pedir que respeitassem os outros que também ali estavam. A situação não estava a ser fácil para ninguém, quanto mais com eles aos gritos! Calaram-se por pouco tempo, e logo voltaram à discussão, com o Zé a provocar a Vera e ela a deixar-se picar pelas provocações. Assim, a Vera acabou por sair disparada porque não queria “partilhar o mesmo ar” que ele. No entanto, acabou por voltar já que, infelizmente, não havia mais sítio onde ficar.

 

 

“Amanhã podem matar-se e tratarem-se de tudo quanto há. Mas hoje, por favor, respeitem quem cá esta a partilhar o mesmo espaço”, pedi. Adormecemos… no dia seguinte já andavam os dois aos beijinhos… não há paciência! E eu, que dormi encolhida, com a cabeça em cima de um tacho velho e cheia de dores nos ossos, não estava mesmo para aturar aquilo.

 

18.00h

Um cocó polémico

Saídos do tal armazém, José Castelo Branco sentiu os efeitos terríveis dos seus comprimidos azuis e realizou as suas necessidades de intestino mesmo atrás da nossa barraca nova (com o cuidado de, depois, tapar tudo muito bem). Mas teve azar! Era sabido que os chichis e cocós tinham de ser feitos fora da aldeia, o mais longe possível, era a regra. No entanto, o que os himbas não podiam perceber era o efeito devastador e imediato dos laxantes que o Zé toma aos montes, a toda a hora. Claro que alguém viu e foi contar ao chefe! Este, agarrou no Castelinho por um braço e levou-o ao local, desenterrando o dito cocó que o Zé jurava a pés juntos não ter feito… Foi uma humilhação para o conde Channel que, ainda assim, continuou a mentir com todos os dentes que tem na boca…

 

José é apanhado a fazer cocó atrás da barraca e é humilhado pela tribo

José é apanhado a fazer cocó atrás da barraca e é humilhado pela tribo

 

Passeio envenenado

Ontem saímos de Okohonga para ver as cataratas de Epupa. Lindas! Um espectáculo digno de se ver, mesmo na fronteira da Namíbia com Angola. Pelo caminho visitámos uma feiticeira que falou muito mas ninguém percebeu nada. Só o Zé! De repente ficou sabedor de linguagem himba e percebeu que a dita senhora tinha reconhecido nele um ser espiritual muito elevado, capaz de baptizar toda a tribo com autoridade reconhecida! Valha-me deus…

 

6

 

A verdade é que a comunicação aqui é quase toda feita por gestos, muitas vezes ineficazes. Foi, portanto, mais uma das vezes em que ficámos a olhar uns para os outros com cara de parvos. A feiticeira, supostamente, encarnou um espírito e o Zé imitou-a. Para ele esta visita não podia ter vindo mais a calhar já que tem andado pela aldeia a rezar e a dar a bênção aos himbas. A minha ignorância religiosa diz-me que é uma postura idiota já que não tem a competência necessária para o fazer. Mas, se calhar, sou eu quem está a dizer um grande disparate!

 

À beira da àgua eu já sonhava com o banhinho...

À beira da àgua eu já sonhava com o banhinho…

 

Já nas cataratas voltamos (eu e a Vera) a ser vítimas de descriminação. Estava um calor infernal e aquela abundância de água convidava-nos ao banho. Fomos todos até à beira e, no momento em que vou para lavar as mãos, fui fortemente agarrada pela MutaKura: as mulheres não se podem lavar, lembrou-me… Então nós estávamos ali apenas para ficar a ver os homens lavarem-se?! Senti uma revolta tão forte que, assim que pude, escapei-me dali e fui lavar as mãos no lava loiça de um complexo turístico que havia perto! E só não me pus lá dentro porque não cabia!

Mas só os homens puderam banhar-se... que injustiça!

Mas só os homens puderam banhar-se… que injustiça!

 

O que vem aí…

Ainda…

  • As crianças, a sua vida de seres menos importantes da tribo, as funções e a forma como são “desprezados”, descuidados e tratados de forma completamente oposta à nossa maneira ocidental. E Ai de quem conteste!
  • Uma discussão grave entre mim e o Castelo Branco por causa de cigarros. Pela primeira vez ignorei-o um dia inteiro e senti-me verdadeira e profundamente afectada pelo seu egoísmo e o egocentrismo manifestado nesse dia;
  • Aquilo que era encarado como integração passou a ser visto e sentido por mim como obrigação: parecia que estava num campo de concentração e, pela primeira vez, não consegui conter as lágrimas da revolta acumulada!

 

À frente…

  • Roupas novas para todos nós e respectivos adereços: o ocre no corpo para as mulheres e a ausência de roupa interior nos homens. Barbas e cabelos feitos… à facada!
  • Conquisto, sem querer, uma criança especial e fico profundamente impressionada com a sua história!
  • Uma visita a Okohonga muda toda a nossa visão sobre a tribo e esclarece muito do que tínhamos duvidas…
  • Dois acidentes impressionantes e a ausência de cuidados dão resultados catastróficos naqueles que os sofreram e que vão acompanhá-los para sempre!
  • Que idade têm os Himbas? Quem descobre? Afinal, não são assim tão diferentes de Zé Castelo Branco…

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