Destaque Perdidos na Tribo

Perdidos na Tribo – Ep.6 – Uns com fome e outros a cuspir chouriço assado!

O que viu

A saturação tomou conta dos participantes! É notório pelo seu aspecto físico e expressões carregadas.

A ausência de comida decente por tanto tempo foi finalmente compensada. Nos Hamer a tribo de Kapinha foi presenteada com carne e os Nakulamene pescaram para o grupo de José Carlos Pereira. Mas como, nesta experiência, nada é simples, a contrapartida não se fez esperar: castigos pesados para Mafalda e Joana por se terem banhado ao sol e no mar; repulsa de Kapinha e Fernando por terem de matar o bode de forma violenta. E se, na primeira, o grupo se uniu nas decisões, já nos Hamer assistimos a fricção entre os membros: Cláudia Jacques não come carne e Io Apoloni considerava o sacrifício do animal como um mal necessário. Ainda bem que, nesta matéria, nos Himba não havia o que discutir: comíamos papa e pronto! Safou-nos as corridas de burro, que nos arrancaram gargalhadas valentes.

Por coincidência, enquanto os Nakulamene festejavam a cessação da chuva, na Etiópia o grupo abençoava a sua chegada, que aproveitou para lavar o corpo e a alma. Uns queixam-se do mal, outros da cura!

Neste episódio, Joana e Fernando explodiram. Normal, já que nos seus grupos têm sido considerados os mais trapalhões, os que fazem tudo mal, e é para eles que as tribos dirigem os maiores insultos. Sentem-se inadaptados, insultados e desprezados. E com razão! No lugar deles eu teria, provavelmente, explodido mais cedo.

Felizmente, nem tudo é mau. A dedicação da Joana a depilar as Nakulamene foi muito divertida. Infelizmente não abonou a seu favor, já que consideraram aquela dor infligida por ela como uma forma de vingança. Por outro lado, os Himba aprenderam como lavamos os dentes. E eu, que vi esta cena pela primeira vez, ia caindo do sofá a rir: então ninguém explicou ao Tirambi que a pasta de dentes não era para engolir? O , em vez de estar a bafejar o desgraçado com o seu hálito, bem que o podia ter feito…

Revolta-me um pouco a tribo Hamer, confesso. Ali, o grupo recebe castigos quase só por respirar! Injusto… Veremos como correm os próximos episódios.

O que não viu

13º dia – 17 Abril – 16.10h

 

Bacalhau para os Himba

De volta ao acampamento, fresca e fofa, havia de continuar a tarefa da cabana, que estava muito atrasada. Não teria passado uma hora quando me chamaram para cozinhar. A produção tinha trazido bacalhau, batatas, chouriço e alheiras para prepararmos e oferecermos á tribo. A ideia era inverter os papéis e dar-lhes a provar comida tipicamente portuguesa.

Custou muito mexer e cheirar os enchidos. Enquanto os preparava sentia-me a salivar… mas a quantidade mal chegava para que todos os himba provassem um pouco, quanto mais para o grupo fazer uma refeição portuguesa. Aquilo era para eles, e ponto final.

Senti uma estranha sensação de prazer ao distribuir a comida e perceber que pegavam em tudo com as pontas dos dedos, faziam caretas, cuspiam e escondiam os bocados para que não percebêssemos que não conseguiam comer. Lembrei-me do primeiro dia, quando fiz o mesmo com a comida deles.

Dizia o Sérgio, e muito bem: “Estão a provar do próprio veneno”! Quando fui eu, pegaram-me num braço e mandaram-me embora da aldeia. Agora, ao ver as caretas que faziam, acabei por percebê-los um pouco. “Como é possível que não gostem deste bacalhau delicioso e deste chouriço suculento?”, pensei.

19.30h

Batatas abençoadas

Por causa deste intercâmbio de culturas começaram a “aparecer” batatas no acampamento, o que para nós era um manjar dos deuses: tinha acabado que colocar as batatas a cozer quando nos chamaram outra vez. Toda a tribo saía da aldeia em direcção ao rio e comecei a ficar preocupada… e ainda por cima tinha as batatas ao lume! Mais um bocado e ficávamos sem o nosso almocinho…

Afinal, o objectivo era ensinar-nos a andar de burro e não é coisa que eu goste… Mas lá fui, que remédio… Montei-me em cima do burro, atrás do Tirambi, e arrancámos. Tive que me agarrar ao rapaz, pois claro, de contrário malhava do burro abaixo. Até correu bem e não tardou, já estava a andar sozinha. Só que o sacana do miúdo lembrou-se de dar uma palmada no rabo do animal, que saiu disparado, e vi-me grega para chegar inteira ao meu destino. No entanto, não posso dizer que não gostei da experiência: o burrito era baixote e manso, ajudou bastante.

Andar de burro foi uma grande aventura

Andar de burro foi uma grande aventura

De volta, a minha preocupação eram as batatas: corri para a lareira, levantei a tampa e… estavam no ponto, que sorte! Comemos no chão, como sempre, a tirar as batatas secas e cozidas com as mãos, de um tacho cheio de dedadas e terra.

18 Abril – 14º dia – 10h

Dormir todos juntos

Estreámos a cabana nova! Enfiámo-nos os 4 lá dentro para dormir – supostamente melhor – só que o chão ainda estava húmido da chuvada e acordei com os calções de ganga todos molhados. Sim, porque durmo sempre vestida: como lá chego é como me deito! De nada tinha valido andar o dia todo a atear a fogueira lá dentro para ver se tirava a humidade: lenha para cá, sopro para lá, os pulmões cheios de fumo, para nada…

Trouxe de casa um saco-cama. Abri-o, para conseguir tapar também a Vera mas fez muito frio de noite e a humidade era imensa. Acordei várias vezes com dores agudas nos joelhos, tornozelos e ancas. Ainda me aninhei entre o Zé e a Vera mas o frio não passava…

Apesar de ser a nossa primeira noite a dormir juntos não fizemos grande festa… chegámos demasiado cansados para isso e todos estávamos com receio que uma das bostas do tecto nos fosse cair na cabeça durante a noite.

No entanto, foi incrível como estávamos em sincronia. Dentro da cabana só cabíamos os cinco deitados (a contar com as malas do Zé) se nos encaixássemos uns nos outros. Assim, cada vez que um se virava para o outro lado, os restantes tiram que se virar também! E andámos nisto toda a noite!

15 horas

Dar ou não dar, eis a questão!

Têm pedido para ficar com algumas das nossas coisas quando partirmos. Quase todos já demos bonés, sapatos, casacos… agora, enquanto escrevo, o Zé veio buscar a câmara. Decidiu também dar alguma coisa – a escova de dentes – mas quer filmar para mostrar ao mundo o quanto é generoso. Mesmo que, quando não se esteja a filmar, os expulse da cabana para a chuva. É impressionante! Já desisti… não sou Deus, não sou ninguém para lhe ensinar nada. O problema está no carácter, na raiz, e será o universo que se encarregará de dar a cada um a consequência dos seus actos.

O que vem aí

Ainda…

  • José Castelo Branco quebra as regras de higiene e funcionamento da aldeia e é apanhado em flagrante. Okohonga fica em alvoroço especialmente porque ele jura a pés juntos que não fez nada.
  • As coisas vieram gradualmente a azedar entre Zé e Vera. Numa noite muito difícil para todos, ambos explodiram e pegaram-se gravemente. Por pouco não houve bofetada…
  • Damos de caras com a forma nojenta como limpam os rabos ás crianças depois do cocó. E revoltamo-nos contra o seu sofrimento, bem como o dos cães da aldeia.
  • Zango-me seriamente com José: por causa dos cigarros a discussão torna-se violenta e assusta, inclusivamente, a própria produção.

 

Á frente…

  • Vai descobrir o meu segredo: arrisquei o pescoço para conseguir suportar a segunda metade da experiência e fui bem sucedida. Mas nunca o teria conseguido sem a colaboração total de todos os elementos do meu grupo!
  • Em compensação, saio em fuga da aldeia e descubro um oásis a alguns quilómetros dali onde me banho livremente! A partir desse dia, todos melhorámos as nossas condições de higiene, ainda que nos custassem castigos…
  • Tentaram despir-me à força e, pela primeira vez, as lágrimas caem-me em Okohonga. Nunca me tinha sentido tão revoltada na vida e cheguei a ponderar se continuaria a colaborar com a produção nos objectivos do programa.

A não perder o próximo “Perdidos na Tribo”!

P1100003

 

 

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