Destaque Perdidos na Tribo

Perdidos na Tribo – Ep.2 – Moscas, falta de comida e… Vera adoece!

O que viu

O nosso primeiro impacto nas tribos foi, como se viu, bastante positivo. Recebidos em festa, tudo era novo e cativante… Coitados de todos nós, ainda estávamos naquela fase deslumbrada de achar que iriam ser umas férias engraçadas.

Mas durou pouco! Assim que o primeiro dia raiou as várias tribos estavam sedentas de nos integrarem: tarefas e ensinamentos estranhos misturados com a dificuldade de comunicação esgotaram-lhes a paciência num instante e, com ela, a desilusão com as fracas capacidades dos convidados.

Pela manhã, ensinar como e onde se fazem as necessidades fisiológicas: Na Namíbia as Himba fazem um buraco e limpam-se a um pauzinho escolhido com um critério que, até hoje, ainda não percebi qual é. Já em Vanuatu, os Nakulemene limpam os rabinhos com um amontoado de fios de coco, que deixaram Mafalda e Joana muito chocadas. Há necessidade de dizer qual destes (paus e fios de coco) é mais desconfortável?

Já no que diz respeito ao estado do tempo, Vanuatu esteve, realmente, em piores condições do que nós, na Namíbia… Doeu-me o coração com as imagens do Luís, da Joana, da Mafalda e do Zeca, encolhidos e encharcados dentro da cabana. Também aconteceu duas noites na Namíbia e sei bem o que é o desespero de não ter onde se abrigar, embrenhados numa escuridão total, olhar a volta e ver tudo o que se tem ensopado e não saber, sequer, quando aquele pesadelo vai terminar…

Já as primeiras tarefas foram mais difíceis para as mulheres da Etiópia. Sim, porque os homens (Kapinha e Fernando) cedo se habituaram ao conforto de estarem sentados sem fazer nada e a snifar tabaco, enquanto a Io Apolloni e a Cláudia Jacques faziam tudo, até de empregadas de mesa! E, ainda assim, foram duramente criticadas pelas Hamer.

O beber do sangue e a forma de o recolher foi o que mais me custou ver, bem como a tarefa de Vanuatu, de apanhar o porco sobre o ataque feroz dos cães. Nesta altura agradeci ter-nos calhado a ordenha das vacas, ainda que no meio da bosta…

O choque na forma de alimentação não se fez esperar: Leite tirado das vacas com milhentas moscas a boiar e aquela papa nojenta não me passaram no estreito. Beber sangue também não foi do agrado do grupo que estava com os Hamer: Fernando cuspiu, Kapinha fez caretas e Cláudia chorou.

Os primeiros conselhos tribais trouxeram a todos nós a noção de que se avizinhavam tempos difíceis: Desilusão das tribos connosco, castigos e falta de paciência dos nossos anfitriões! O entusiasmo vai dar lugar à tensão e os próximos episódios vão mostrar o outro lado dos participantes que o público desconhece. Esperem para ver se não tenho razão!

https://www.youtube.com/watch?v=lvVWLLt33PY&list=PLD78FB46F195D2D14

 

O que não viu

Nem queria acreditar na aventura em que me tinha metido

Nem queria acreditar na aventura em que me tinha metido

 

Escrito ao 4º dia – 7 Abril – 15h 30m

O pai da criança

A primeira noite foi complicada: havia tantas moscas dentro daquela tenda que achei que iam comer-me! A sensação foi indiscritível. Ali largados no escuro, todos sujos, sem saber das malas, onde dormir, como comer… vestidos com roupa de 3 dias acho que só os dentes é que não estavam imundos!

 ... sonhei tanto com o quartinho de hotel da noite anterior!

… sonhei tanto com o quartinho de hotel da noite anterior!

Fiquei com a Vera na mesma cabana, depois de muito esforço para negociar uma vez que queriam separar-nos. Deitámo-nos lado a lado, partilhando o espaço com mais duas himbas cujo cheiro empestava cada centímetro de ar respirável. Falavam muito entre elas e riam. Volta e meia chamavam-nos pelos nomes de forma atabalhoada para se meterem connosco. Nós as duas não conseguíamos dormir… ali estávamos deitadas de barriga para cima, olhar no escuro, a tentar encaixar o que nos estava a acontecer.

A nossa primeira barraca (eu e Vera) partilhada com as himbas

A nossa primeira barraca (eu e Vera) partilhada com as himbas

Para chamar o sono lembrei-me, não faço ideia por que motivo, de começar a rezar um Pai Nosso em voz alta e a Vera acompanhou-me. Qual não foi o nosso espanto quando, depois de ouvirem em silêncio, as Himbas disseram “Amén”! Ficámos histéricas, era o primeiro sinal de comunicação e não quisemos perder a oportunidade. Começámos logo a cantar “O pai da criança” e não foi preciso muito para que as raparigas aprendessem o refrão. Estavam inspiradas! E esta brincadeira, que ainda durou algum tempo, relaxou-nos e quebrou barreiras. Adormecemos…

Quando me apercebi o tipo de chão onde ia dormir...

Quando me apercebi o tipo de chão onde ia dormir…

O pesadelo das moscas

Já estamos no quarto dia e tanta coisa aconteceu… ordenhar as vacas teria sido fácil se elas não insistissem em fazer chichi e cocó enquanto eu tentava tirar-lhes o leite. Tinha salpicos disto tudo nas pernas, as moscas atacavam-me e ao leite, e elas puxavam-me com força para um lado e outro enquanto gritavam.

Chegou a hora da refeição e, depois de não conseguir beber o leite, também não consegui comer as papas. E se eu tinha fome, meu deus… só pensava para os meus botões que quem inventou as moscas devia ter uma valente dor de barriga e ficar colado à sanita durante um par de dias! Estavam em todo o lado, em cima de tudo, e não havia minuto que não me sentisse nauseada…

A papa que nos davam para comer...

A papa que nos davam para comer…

Depois das tarefas, na hora do calor, a aldeia pára. As mulheres recolhem ás cabanas para a sesta e os homens andam por aqui, conversando ou aproveitam para visitar as aldeias próximas. Nós ali ficámos, largados e desnorteados… escolhemos uma sombra onde nos abrigar e lamentar a fome incrível que todos estávamos a sentir. Quando (e o que) iríamos comer, era o tema de conversa…

A comida era feita nestes tachos limpinhos...

A comida era feita nestes tachos limpinhos…

O rio seco...

O rio seco…

Comecei a sentir-me enlouquecer, confesso… olhava à volta e era tudo igual, esta aldeia está realmente perdida no meio do nada. “Não pode ser!”, pensei. “Tem de haver água por aqui”. Levantei-me e arrastei a Vera comigo. “Vamos procurar!”. Caminhámos em direcção ao rio seco e não foi preciso andar muito para encontrar uma poça (nojenta) e também conhecer, pela primeira vez, o Tirambi – que se viria a “apaixonar” pela Vera – sentado numa sombra.

Tirambi - o himba que se viria a apaixonar pela Veríssima

Tirambi – o himba que se viria a apaixonar pela Veríssima

O amor acontece

Ora aquela àgua, apesar de não ser minimamente convidativa, era água! E as nossas mãos estavam tão sujas que não se fizeram de esquisitas. O rapaz, ao ver aquilo, veio logo avisar-nos que não podíamos com gestos e palavras que denotavam desagrado e aflição. Não ligámos, era ali e naquele momento que a oportunidade estava e não íamos perdê-la. Ele conformou-se.

O charco onde lavámos as mãos pela primeira vez.

O charco onde lavámos as mãos pela primeira vez.

Feitas as apresentações, sentou-se à beira do charco connosco. A Vera puxou de um cigarro e ele pediu outro. Como já tínhamos visto alguns himbas homens a pedirem e a fumarem, não achámos estranho. Só que, quando ele acendeu percebemos que não sabia fumar pois o fumo não passava da boca para os pulmões.

A Vera, na sua impulsividade, achou graça e tomou como missão ensinar o rapaz a “travar”. E o facto é que, depois de alguns minutos de tentativa, conseguiu! Só que ele começou a tossir de forma compulsiva e assustou-se. Olhou para o cigarro como se fosse um espírito maligno e atirou com ele quase inteiro para longe. Rimos a bom rir enquanto ele praguejava! O certo é que este primeiro contacto com a Vera – suis generis – surtiu mais tarde os seus efeitos.

 

Vera adoece

Voltámos para cima em direcção à aldeia. Nada tinha mudado, só se ouviam as moscas. Apenas a Vera começava a empalidecer e tudo o que dizia se relacionava com comida. Contou-me que era anémica e precisava de comer com frequência. O Sérgio, aparentemente calmo, também ouvia com atenção e tentámos, na medida do possível, confortar a miúda. Já o andava desesperado de um lado para o outro por causa das suas malas e das condições que começou a perceber que se iam manter até ao fim da nossa estadia.

 José desesperava para arranjar onde colocar tanta tralha...

José desesperava para arranjar onde colocar tanta tralha…

Enquanto ele praguejava e ameaçava que se ia embora a Vera começou a sentir-se mal: fraca, com vontade de vomitar, tonta e com dores na zona da barriga. Estava deitada e não se conseguia levantar. Decidimos chamar a médica que nos acompanhava, que veio prontamente verificar o que se passava. Depois de alguns procedimentos declarou, para nosso espanto, que estava tudo bem, o organismo da Vera só precisava de se habituar às novas condições e beber muita àgua! “Eu preciso é de comer!” implorava ela mas, como já vem sendo hábito, apareceu um tacho com papa seca para ela se servir, cujo cheiro ainda a deixou pior…

13 - Vera sente-se mal e precisa de assistência médica

Vera sente-se mal e precisa de assistência médica

O que vem aí

Ainda….

 

  • Uma chuvada leva-nos ao desespero e descobrimos a “arca do tesouro” do chefe. Em contrapartida alguém se sacrifica (e muito) por nós…
  • Uma criança limpa com a mão a bosta de vaca dos sapatos com um sorriso, apesar da fome e maus tratos;
  • Uma receita que veio para ficar e nos mantinha de pé. E tudo começou com a boa vontade de uma criança;
  • Chego à barraca para me deitar e encontro um cenário indescritível… e tive que ficar à porta à espera de poder entrar;

Mais para a frente…

  • Apanho um grande susto e quase dou cabo da minha vida;
  • Apesar de muito habituados à aldeia alguns himba quase morriam atropelados por vacas… e o Sérgio também!
  • José Castelo Branco faz penteado novo e… arrepende-se!
  • Famílias himba: os filhos que são pais dos avós, que são tios dos filhos…. Que confusão!
  • Sou castigada e fico muito… Feliz!

Não perca o próximo “Perdidos na Tribo”!

Para a semana os instintos vêm ao de cima e ficamos “animais”…

Perinaua!

O primeiro dia foi terrível, estávamos desorientadas

O primeiro dia foi terrível, estávamos desorientadas

 

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