Destaque Perdidos na Tribo

Perdidos na Tribo – Ep.1 – Partida e a diva Castelo Branco

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O que viu – Etiópia e Vanuatu

“Perdidos na Tribo” arrancou na TVI sob grande expectativa nacional. Afinal, não é todos os dias que assistimos a 12 pessoas habituadas a tudo quanto são comodidades serem largadas “no fim do mundo” à mercê de condições impensáveis em pleno século XXI!

Tendo participado no grupo da tribo Himba (Namíbia), a minha grande ansiedade era observar de que forma os outros 2 grupos – Etiópia e Vanuatu – se tinham confrontado com aquilo que os esperava: Como as doces e sensíveis Cláudia Jaqques e Mafalda Teixeira aguentavam o impacto; Quanto tempo os divertidos e descomplicados Kapinha e Luis Lourenço aguentavam as gargalhadas; De que forma os rebeldes Zeca e Fernando Mendes iriam refilar; enfim…

No entanto, o que acabou por acontecer é que dei por mim a fazer comparações entre as tribos deles e a minha! Bem que eu trocava o jipe lento e abafado no qual chegámos a Okohonga (o nome da terra onde estava a tribo Himba) pelo barco simpático da Etiópia, fervilhando de adrenalina naquele rio cheio de corcodilos, ou até pelo todo-o-terreno que carregava o grupo de Vanuatu, a derrapar por todos os lados como num rally…

A chegada destes últimos foi linda de se ver: Três meninas simpáticas e amorosas aguardavam… a nós calhou-nos três homens mal-encarados e um burro! Só inveja, portanto, especialmente daquela maravilhosa casa na árvore. Na tribo deste local – os Nakulemene – os homens andam praticamente nus e as mulheres quase totalmente vestidas. Porque é que nos nossos Himbas (Namíbia) tinha de ser ao contrário? Ai, ai…

Com a Etiópia encontrei mais semelhanças e fiquei mais confortada. Nos Hamer as mulheres são tão brutas quanto as nossas himbas e, pelo menos, na Namíbia os óculos de sol não eram sinal de falta de respeito… E se eles curam as doenças colocando intestinos de cabra na cara já percebi porque o grupo ficou todo doente: foi só de pensar na cura!

Mas em tudo era mau: Em Vanuatu as mulheres são inferiores a um porco! Ainda bem que, na Namíbia, só tínhamos vacas e cabras…

Se este primeiro episódio impressionou, prepare-se pois o melhor e mais chocante ainda está para vir!

Especial Namíbia – O que não viu

Percebia-se que as senhoras ganharam logo afinidade comigo... ah, ah, ah

Percebia-se que as senhoras ganharam logo afinidade comigo… ah, ah, ah

Dia – 4 Abril 2011 – 17h 45m

 

Sento-me no café do aeroporto de Lisboa, com esplanada no exterior. Enquanto termino o donut e o abatanado-meio (cheio perde o gosto a café e sabe a água de lavar pratos), decido começar a registar a minha aventura. A hora marcada é às 18. Como cheguei mais cedo mudei de planos: aqui, na rua, posso saborear um cigarro descansada. Não faço ideia de quando, e onde, poderei voltar a fumar.

Pelo meio, revejo mentalmente os meus últimos dias antes de embarcar: papéis todos tratados, vidinha toda organizada, o costume num dia-a-dia onde a responsabilidade é a palavra de ordem. É por isso que esta aventura faz tanto sentido: É o escape perfeito a uma vida cheia de regras às quais não fujo. O comum mortal vai para o SPA, tira férias e faz retiros espirituais. O que para mim é difícil, já que nunca consigo abstrair-me do que tenho para fazer, dos horários, das contas para pagar e do conforto que quero proporcionar ao meu filho. Talvez por isso é que um escape – para mim – precisa de estar repleto de conteúdo que me preencha a mente e tome o lugar de todas as outras coisas. O complemento? Adrenalina! Estou convencida que, se existisse este tipo de sensação em comprimidos eu já estaria viciada neles há muito. Aqui, na mesa do café, com um carrinho cheio de malas como companhia já começo a sentir as borboletas na barriga, a aventura vai começar!

Eu e a Vera no Aeroporto

Eu e a Vera no Aeroporto

 

2º dia – 5 Abril 2011 – 17h 45m

 

Finalmente estamos no avião, no último voo da África do Sul, a caminho da Namíbia. Por pouco não tínhamos ficado em terra: o Zé (castelo Branco) perdeu-se no aeroporto e, como não tinha comitiva para lhe carregar as malas, decidiu ir andando não se sabe bem para onde… Passou um dia apenas desde que saímos de Lisboa mas viajar com esta “princesa” é uma aventura tão grande ou maior do que ir para uma tribo primitiva: Distrai-se com tudo, caminha lentamente imitando uma diva, enerva-se a toda a hora á procura das 552 malas que levou, enfim… para ele o mundo tem-no ao centro e o resto é paisagem!

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Apesar de tudo estou satisfeita com o grupo, com a equipa e o Zé conhece bem os meus limites, bem como a minha tolerância zero para com as suas tentativas manipuladoras, por isso está tudo bem!

Falta pouco mais de meia hora para aterrar. Já estou a imaginar uma carripana azul e amarela à nossa espera, sem vidros, com faróis redondinhos que já não funcionam e uma grela enferrujada no cimo, onde as malas vão ao lado dos galinheiros e dos fardos de palha. Na nossa calçada, um elefante pachorrento carrega o Zé e o resto das Louis Vitton que já não cabiam na carripana. Ainda bem que vi todos os indiana Jones quando era miúda…

 

3º dia – 6 Abril 2011 – 00h 35m

Á nossa espera estava, de facto, uma carripana. Não lhe faltavam os vidros, nem era azul! Que desilusão, era um comum carro de safari. Os funcionários do minúsculo aeroporto não ficaram indiferentes ao frenesim de câmaras à nossa volta e queriam saber quem era aquela figura “suis generis” que acenava qual Evita Peron e carregava um chapéu que abrigava uma tribo inteira em tempo de chuvas tropicais. E por mais que o Zé repetisse “José DE Castelo Brrrranco” a eles apenas lhes interessava tirar uma foto para mostrar á família.

Zé chocado, cheio de nervos!

Zé chocado, cheio de nervos!

Fomos chamados à atenção por estarmos afastados dele, se éramos uma tribo tínhamos de agir como tal! Tive então que explicar: Ele era a estrela – “The Star of the show” (como o próprio se apresentou) e, por isso, deixava-se ficar para trás de propósito (ou afastava-se) para ser filmado sozinho, sem a nossa interferência para lhe estragar a performance. E ele não me desmentiu. Por outro lado eu, a Vera e o Sérgio não estávamos preocupados com o nosso papel de figurantes e até colaborávamos.

Sebastina, o guia que tinha as melhores carcaças duras que já comi!

Os nossos guias eram de uma simpatia e humildade como eu não via há muito! Traziam um saco de asas com maçãs, pão (duro) e amendoins, que gentilmente ofereciam. Fui comendo, embora estivesse sempre à espera do momento em que pararíamos num café para comer qualquer coisa decente… mas as únicas (e muitas) paragens que fizemos foi para o Zé fazer um chichi…A estrada era infinita, foram quilómetros sem fim onde a paisagem apenas se alterou com dois babuínos à beira da estrada e as “operações Stop”: No meio do nada um reboque com uma sirene e um polícia em calções de praia, sentado numa cadeira, á espera da multa…

A noite chegou e, com ela, uma tempestade de chuva que cortava as mãos e raios que disparavam na horizontal. Uma coisa apavorante como nunca tinha visto! Foi o primeiro sinal de perigo, se furasse um simples pneu ficávamos ali largados aos bichos…comi duas carcaças secas e senti-me mais aliviada!

Horas antes de chegar à tribo, como eu estava entusiasmada...

Horas antes de chegar à tribo, como eu estava entusiasmada…

 

 

4º dia – 7 Abril 2011 – 13h 00m

Levei meia hora para conseguir começar a escrever. Não me lembrava da data… estou a perder a noção do tempo e ainda não fez 24 horas desde que aqui estou!

Ontem fomos recebidos no meio do mato, por volta das 16 horas. Esperavam-nos três homens e um burro. Pensei: “olha que simpáticos, trouxeram boleia!”. Mas o burro eram para carregar as malas… e a Vera que, esperta, se montou em cima dele. Íamos felizes e contentes por ali a fora quando o Zé decide fazer uma birra. Faltou ao respeito á tribo e o meu estômago ficou num bolo… mas foi quando começou a desancar na Vera e no Sérgio que me saltou a tampa e lhe dei um berro! Arrependi-me logo a seguir, é certo… não devia ter perdido a calma… mas ele mereceu todas as palavras que lhe disse!

Pausa para escrever o diário - se soubessem as peripécias que este caderno passou... desgraçado!

Pausa para escrever o diário – se soubessem as peripécias que este caderno passou… desgraçado!

 

Felizmente já estávamos a chegar e a alegria com que a tribo nos recebeu “limpou” o mau estar. Mas não limpou a bosta de vaca na qual a nossa bagagem foi pousada! O Zé ia tendo um ataque cardíaco! Ele e eu, já que ainda nem tinha aquecido o lugar quando me levaram para dormir. As himbas deitaram-nos e uma delas puxou-me para si e começou a embalar-me. Querida… não fosse ter enfiado a minha cabeça debaixo do seu sovaco que nunca soube o significado da palavra “água”. Ia morrendo…

 

Especial Namíbia – O que está para vir…

  • Na primeira noite eu e a Vera entrámos em desespero por causa das dormidas! Como será que resolvemos o problema?

  • Alguém ensinou uma música portuguesa muito famosa á conta do medo… e acabou a rir…

  • Logo ao segundo dia na tribo Himba, um dos elementos foi expulso. Saiba porquê!

  • Um sapo transformou-se num príncipe encantado. E tudo por causa de um cigarro!

  • 5 dias passados, 50 ameaças de desistência! Quem terá sido?

  • Hipotermia, tesouros e compaixão. Tudo num par de horas!

  • Uma criança limpa, com a mão, uma das nossas botas suja de bosta de vaca. Porquê?

  • Descobre-se uma receita cujos ingredientes são 13 ovos e 12 aves. E uma barrigada cheia de fome!

  • E, afinal, a “Casa da Luz Vermelha” também existe em Okohonga!

 

Não perca o próximo “Perdidos na Tribo”!

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2 Comments

  • Reply
    Blogueira Alice
    2 Abril, 2016 at 22:40

    Boa noite

    Gostei muito do seu artigo no seu conteúdo.

    Beijos!

    Lice Nunes Portal Shame Intelimax

    • Reply
      Marta Cardoso
      3 Abril, 2016 at 18:51

      Obrigada 🙂

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