Politicamente (in) Correto

Politicamente (in) Correto! – Ep.1 – A Religião, a Doença do Ter e o Cinismo do Natal

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Nesta rubrica vou transcrever trechos de livros que vou lendo.

Apesar destas palavras serem politicamente incorretas, às vezes fazem sentido e põem-nos a pensar!

Hoje são tiradas do Livro da Serpente.

Religião e clausura:

Os frades eram seres humanos curiosos. Faziam os votos de pobreza, castidade e obediência, com o objetivo de alcançarem o Reino dos Céus mais depressa, mas mantinham-se em clausura sem que, muitos deles, soubessem o que quer que fosse sobre a utilidade e o verdadeiro objectivo do cumprimento desses votos. (…)

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Quem fizer esses votos, mas passar a viver isolado do mundo, poucos resultados poderá obter mesmo quando os consegue cumprir, o que é muito raro, porque geralmente a única coisa que consegue fazer é abrasar-se. Se um ladrão estiver preso existe alguma valia no facto de não roubar? Se um violador for castrado onde está o mérito de não violar? Se um orgulhoso viver numa ilha deserta poderá enfrentar o seu orgulho? O objectivo só se alcança vivendo no mundo e, através do cumprimento desses três votos, conseguir não ser do mundo.

“O Livro da Serpente”. Victor Mendanha, Editora Pergaminho, 1ª edição 1997,  página 61

A doença do ter:

(…) deste mundo, que se encontra totalmente dominado pela doença do ter, desde a economia até à religião, origem do verdadeiro inferno em que vocês vivem.

(…) o desejo insaciável de terem cada vez mais coisas, mais dinheiro, mais poder, mais personalidade, não se saciando nunca e jamais sabendo ou querendo parar, numa corrida cujo único prémio consiste na destruição física e da alma, além da morte precoce deles próprios e dos outros.

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(…) – as igrejas ocidentais escusam-se a explicar, claramente, a parábola de Jesus “É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus”. Evitam abordá-la e, mesmo quando o fazem, dão-lhe tonalidades de acordo com os seus interesses (…).

(…) o ter é uma droga (…) Sofia insistiu na negativa, adiantando não existirem ricos piedosos, pois a construção ou a simples manutenção de qualquer fortuna obriga, sempre, à exploração dos outros. Mesmo quando um rico pratica actos de aparência piedosa, como dar esmolas elevadas ou fazer importantes ofertas a orfanatos a hospitais, procede sempre com o objectivo de comprar a entrada no Reino dos Céus através da construção de uma boa imagem junto da comunidade, não faltando a difusão de notícias nos jornais, na rádio e até na televisão sobre as suas obras consideradas de beneficência (…).

“O Livro da Serpente”. Victor Mendanha, Editora Pergaminho, 1ª edição 1997,  página 61 e 62

Sobre a hipocrisia do Natal

As comemorações do nascimento de Jesus, tal como se realizam nos tempos actuais, são uma das maiores manifestações do cinismo humano. Para recordar o nascimento de quem pregou o desapego pelos bens terrenos, aconselhou a prática da humildade, praticou a frugalidade, exaltou a vida de todos os seres e ensinou a virtude do amor ao próximo, vocês resolvem cometer o crime cósmico de matar um número ainda maior de animais do que é costume, comem e bebem como uns alarves, dão largas ao vosso orgulho estúpido e à ostentação ridícula em vez de aproveitarem a quadra para meditarem profundamente nos sublimes ensinamentos do Mestre.

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– E as prendas? Nessa noite as pessoas oferecem prendas umas às outras – repliquei, qual advogado a requerer a subida do processo à última instância.

– Não oferecem prendas, investem. Ofereceriam caso a dádiva fosse efectuada no anonimato, mas observe como se sentem orgulhosas e proclamam, ruidosamente, o preço ou a categoria desses investimentos.

“O Livro da Serpente”. Victor Mendanha, Editora Pergaminho, 1ª edição 1997,  página 62 e 63

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