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Realitys: “Mudam-se os tempos…”, já dizia o Marco

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A propósito de Reality Shows encontrei uma revista TV MAIS antiga – de Novembro de 2012 – que continha uma Crónica do Marco (Big Brother 1) sobre a Casa dos Segredos 3, que achei engraçado reler.

E porque há muita coisa que escreveu que ainda se mantém atual, decidi partilhar. Isso, e porque subcrevo (quase) tudo!

Mudam-se os tempos…

“Os tempos mudaram! Se um dia fazer parte de um casal – dentro da casa – era garantia de longevidade nestes programas, essa “regra” foi quebrada. Essa, e a diferença de percentagens mais ínfima de que tenho memória…

No princípio dos reality shows as relações amorosas dentro da casa mais vigiada do país começavam “a medo” e demoravam algumas semanas a desenvolver-se. Um casal – dois no máximo – era o que cada programas proporcionava. À distância de uma década, na Casa dos Segredos 3, a juventude não se deixou intimidar e já lá vão 5 casais (contando com o Bruno e a Nicole), fora as ameaças. E o programa ainda vai a meio…

O jogo de sedução, a corte, a espera do momento em que o amor vencia e unia duas pessoas colava o público ao ecrã. Isso desapareceu e hoje os concorrentes não têm paciencia para esta maratona e chegam mais depressa à meta.

Por isso, na minha opinião e ao contrário das expectativas, os portugueses optaram por separar um casal dentro da casa. Muito embora o amor de Nuno e Vanessa fosse apontado como o mais forte, seguro e verdadeiro, não foi poupado. A crença nestas relações já não é o que era e há que testá-las com desafios destes.

Também as mulheres não tinham a liberdade que têm hoje. Ou, pelo menos, não era aceite com tanta facilidade. Mulheres mais atrevidas, que dissessem palavrões e falassem de sexo com ligeireza, eram apontadas e não duravam dentro da Casa. Mas hoje uma Petra, uma Alexandra ou uma Sandra podem fazê-lo com descontracção e sem medo da reacção de colegas e portugueses. Até a Ana – cujo segredo é ser bissexual – tem uma posição confortável.

Também havia quase sempre um rol de concorrentes mais simples – que normalmente vinham de meios mais rurais, tinham sotaques pronunciados e uma ingenuidade mais acentuada. Era o que se passou a chamar de “os coitadinhos” e estes tinham sempre mais hipóteses na vitória. Hoje isso deixou de existir. E esta Casa dos Segredos é um exemplo disso.

Também não tenho memória de tanto ódio de estimação por metro quadrado. Uma discussão dentro da casa era um acontecimento e não o “pão nosso de cada dia”. Mas hoje a necessidade de se provar que se é “genuíno, verdadeiro e sincero” é tal que se vive dentro daquela casa em regime de Tolerância Zero.

Marco Borges - Big Brother 1 - Ano 2000

Marco Borges – Big Brother 1 – Ano 2000

E, finalmente, as histórias familiares de faca e alguidar que atravessam quase todos os concorrentes. Vivências complicadas, carências profundas e uma procura exacerbada dos concorrentes pelo  reconhecimento publico como forma de compensarem uma auto-estima debilitada.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades! Esta Casa dos Segredos é um espelho, por muito que isso custe à nossa sociedade aceitar. Amor, ódio e traição estão no topo da lista mas tudo isto já foi esgotado nesta edição. O que há, então, para acontecer ainda nestes 40 dias que faltam? É o que queremos saber.”

 

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