Politicamente (in) Correto

Atualidade: Os refugiados Sírios e as redes sociais

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16/09/2015

Um amigo falava sobre este tema fracturante e pedi-lhe que escrevesse um texto sobre o assunto.

Hoje partilho esse mesmo texto, que subcrevo na íntegra:

“Hoje vou falar daquele que parece ser um dos temas da actualidade em Portugal, principalmente nas redes sociais: a chegada de refugiados Sírios.
Queria começar por dizer que acho que é de facto um tema sensível e complicado de gerir, mas a quantidade de informação enganosa ou descontextualizada que existe nas diversas plataformas da Internet (principalmente no Facebook) é algo assustador.

Parece que nós – que sempre fomos considerados como um povo pacato, hospitaleiro e acolhedor – nos estamos a transformar numa espécie de regime a fazer lembrar ideais daquele regime criado por um senhor chamado Adolf. Nós, que também somos um país de muitos emigrantes, agora não podemos receber ninguém…

Convém aliás realçar o facto de que refugiados nem sequer são emigrantes. São pessoas que tentam fugir à Guerra e procuram uma vida digna, sem medo de ver a família morta a cada hora que passa. Independentemente de terem uma cultura diferente (com a qual entendo que não se esteja de acordo), não deixam de ser seres humanos em busca de ajuda.

Muitos dizem que os próprios países árabes mais prósperos não os recebem. Sobre isto dizer apenas duas coisas:

A primeira é que esses países infelizmente não fazem parte do tratado que admite a existência de refugiados, ou seja, para eles são emigrantes, sem qualquer outro estatuto e, como não têm papeis, não podem entrar.

A segunda é que não compactuo com a conduta de assobiar para o lado e achar que, porque os outros fazem mal, eu também vou fazer. Não, prefiro seguir os meus ideais independentemente de tudo.

 

REFUGIADOS-SIRIOS20140924_0013Não queria aprofundar mais esta questão dos prós e contras de receber estas pessoas, mas queria deixar um tema para reflexão:

Muitos dos receios que tenho visto nos portugueses prendem-se com o facto destas pessoas serem de doutrinas demasiado radicais (quando na verdade, até fogem dum regime radical) e que, por isso, são uma ameaça para o bem estar da nossa sociedade…

Agora pergunto eu: E esta onda crescente de atitudes xenófobas e a roçar a extrema direita não serão atitudes demasiado radicais também?

Nao será que nos estamos a tornar iguais ou piores do que aqueles que passamos a vida a criticar? Sejamos humanos, um dia podemos ser nós a precisar.

PS: Para todos os que dizem que deveríamos ajudar os portugueses pobres primeiro, não estou em desacordo. Mas nesse caso façam algo, metam mãos à obra e não se limitem a ir falar para as redes sociais.”

Daniel de Paulo Santos

 

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