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Realities: Como e porquê acontecem as relações entre casais

brunoJpeg

Bruno venceu o Desafio Final da Luta pelo Poder. Quando entrou tinha 3 namoradas/ex-namoradas dentro da casa e acabou por ficar com uma quarta, a Elisabete

Desde o primeiro reality show – o Big Brother 1, em 2000 – que as relações entre casais acontecem, são polémicas, comentadas e contestadas.
Nos primórdios, os concorrentes que se apaixonaram (como eu, o Marco, a Célia ou o Telmo) não sabiam qual seria o efeito dessa decisão nas suas participações. Especialmente para as mulheres, cujo envolvimento em direto tinha grande probabilidade de não ser bem visto pela sociedade.

Mas o país encantou-se com estas histórias de amor e foi aberto o precedente de que as relações amorosas – dentro de uma casa, num reality show – eram bem recebidas e poderiam beneficiar os envolvidos.

Big Brother 1 - Marco e Marta

Big Brother 1 – Marco e Marta

 

Big Brother 1 - Telmo e Célia

Big Brother 1 – Telmo e Célia

 

Á medida que os anos foram passando aumentou a desconfiança na verdade dos sentimentos que unem estas pessoas, na sinceridade dos concorrentes e na ingenuidade das suas acções e motivações.

Em primeiro lugar é preciso não esquecer que estar fechado 24 horas numa casa durante semanas a fio não é um ambiente “real”. Ou seja, está a acontecer no espaço e no tempo mas ninguém se consegue preparar para um contexto que desconhece (no sentido de nunca o ter experimentado). É como ver filmes de prisões mas, na verdade, não fazer a mais pequena ideia do que é viver lá dentro.

Neste contexto, os concorrentes que decidem entrar sentem-se preparados para o fazer (por terem assistido a inúmeros realities) mas são confrontados com a “realidade” daquele ambiente provocado.

Inês é levada por Paulo (também ex-concorrente e pai de Hugo) ao altar para casar com o filho (fictício)

Inês é levada por Paulo (também ex-concorrente e pai de Hugo) ao altar para casar com o filho (fictício)

 

Quando ambos os envolvidos são solteiros

É uma situação que facilita bastante as coisas. Sendo jovens, descomprometidos, estão naturalmente mais voltados para a possibilidade de uma relação (o que, certamente, já acontecia no seu dia-a-dia).

Para além disso, têm noção que toda a gente gosta de uma boa história de amor. Portanto, se podem apaixonar-se, encontrar um companheiro/a de vida, e ainda ser beneficiados com isso na sua participação, então porque não arriscar e deixar fluir?

Quando um dos envolvidos (ou ambos) já é comprometido

Neste caso, o que aparenta ser complicado, não o é. A nossa história de realities está repleta de situações destas e não houve um único caso em que o rompimento de um namoro cá fora não fosse apoiado pelo público e rapidamente esquecido em prol da nova história de amor.

Casa dos Segredos - Liliana (tinha namorado quando entrou) e Daniel

Casa dos Segredos – Liliana (tinha namorado quando entrou) e Daniel

O que acontece é que o terceiro elemento (o que fica cá fora) não ganha a empatia e proximidade com o público que ganham os concorrentes. Até pode ter uma belíssima história de amor com o(a) concorrente mas o público não acompanhou, não conhece e não se identifica com ela.

O que o público sabe – que lhe é dado a ver e a sentir – é que nasceu um sentimento entre dois concorrentes e não deve ser aprisionado. É como se tudo aquilo que sempre se viu (e fez sonhar) no cinema – durante décadas – estivesse agora a acontecer e perto de se tornar um verdadeiro final feliz: um final real e não um sonho.

Casa dos Segredos - Bernardina tinha namorado e deixou-o por causa de Tiago

Casa dos Segredos – Bernardina tinha namorado e deixou-o por causa de Tiago

Portanto, quem se intrometer no meio (como os namorados e namoradas cá fora) apenas recolhe a piedade do público mas não o apoio para ser o vilão da história.

Se juntarmos a isto os aviões com mensagens que os fãs fazem sobrevoar – a apoiar esse amor – todas as dúvidas se desfazem e o(s) concorrente(s) acabam por decidir a favor do rompimento cá fora e do novo compromisso lá dentro. Se não estou em erro, nunca o contrário aconteceu.

O peso das famílias e da sociedade

Muitos dos concorrentes – especialmente os mais jovens – entram nos reality shows sob a promessa feita aos pais que não os vão envergonhar. E isto, normalmente, está diretamente relacionado com situações de intimidade com outros concorrentes.

Infelizmente a maioria esquece-se que a falta de educação, a falta de carácter ou formação, o palavreado, etc… podem envergonhar tanto ou mais do que a partilha de intimidade. Mas isso é assunto para outro dia.

Assim sendo, envolvem-se mais ou menos, consoante a sua personalidade, mas tentam evitar a questão SEXO.

É que o amor é aplaudido mas o sexo – especialmente de forma repetida e/ou demasiado exposta – nem por isso.

Estratégia ou casualidade?

É sempre uma questão que assola – tanto o público quanto os próprios concorrentes – na medida em que o público desconfia dos jogadores e os próprios desconfiam uns dos outros.

Pessoalmente não creio que seja possível fingir um sentimento. Mais cedo ou mais tarde há sempre alguma coisa que trai essa estratégia. O que acredito é que se possa dar mais ou menos ênfase, exagerar ou retrair o que se sente.

E os jogadores podem usar o que sentem a seu favor, ou contra si:

Por um lado, estar envolvido com alguém traz conforto, suprime carências, ajuda no jogo pelo apoio mútuo;

Por outro, passa a depender-se mais do novo companheiro, a ser alvo da desconfiança (e acusações) dos colegas e sabe-se (porque quase sempre acontece) que saindo um, o outro sai logo a seguir.

É então uma questão de escolha estratégica, força do sentimento, ou ambos.

Relações entre as pessoas sustentam um reality

Independentemente de qual destas situações se aplicou em cada caso, o certo é que são as relações entre as pessoas que sustentam um formato como o reality show. Não só as de amor.

As amizades, ódios, rancores e invejas criam o cenário perfeito para contar uma (ou várias) histórias e criar cada edição. A polémica alimenta a curiosidade, os amores fazem sonhar, os ódios revoltar, e quando se dá conta está-se “agarrado” ao enredo!

Só que um enredo da vida real!

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